RR Opinião: Júpiter Maça morre e deixa o rock um pouco mais careta

By Cláudio Costa
jupiter

Foto: Cláudio Costa

Quando escutei o tal Júpiter Maçã pela primeira vez, fiquei de cara com os acordes de “Um Lugar do Caralho”. O ano era 2006, eu estava fazendo faculdade de jornalismo em Florianópolis. Em 2007, fui dividir um apartamento na Palhoça com alguns colegas de academia e surgiu a oportunidade de ver um show do cara no Drakkar, na Capital.

No mesmo ano, acabei mudando a faculdade para Joinville. Lá, tive mais um encontro com Flávio Basso. Ele estava tão chapado que mal conseguia cantar as músicas. Apesar disso, o público entoava músicas como “As Tortas e As Cucas” e “Mademoiselle Marchand – Júpiter Maçã”, canções do disco “A Sétima Eferverscência”.

Asssisti a um show em 2010, no Bovary, em que ele estava sublime! Ao lado de Astronauta Pinguim e uma baita banda, Júpiter arrasou a sua plateia. Depois, no hotel, ele me confidenciou que estava abusando do álcool naquela época e que havia se recuperado. Eu assisti e fotografei outros shows de Basso, todos muito intensos.

Em julho deste ano, fui até a Célula Showcase para registrar o retorno de Júpiter Maçã a Florianópolis. Com casa cheia, o “Modern Kid” se apresentou como um verdadeiro artista. Performático, ele tirou sorrisos e fez o público delirar em sua viagem astral musical. Nesta terça (22), diversos amigos me marcara na notícia da morte do mestre Júpiter no dia anterior.  Dia triste para o rock brasileiro, muito triste.

Júpiter me mostrou bem o que é ser transgressor. Virou um verdadeiro mito entre aqueles que se dispunham a fazer o rock no Sul do Brasil. Sem o tal Júpiter Maçã, o rock fica um pouco mais puritano, um pouco mais careta. Vá em paz, cara. Espero que você esteja em um lugar melhor.